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sábado, 1 de abril de 2017

Olhos secos e conjuntivites aumentam no inverno






Com a chegada do inverno, o número de atendimentos oftalmológicos relacionado à Síndrome do Olho Seco e às conjuntivites alérgicas aumenta. Entretanto, não é apropriado classificar estas doenças como típicas do inverno, porque elas já existem em outras estações. É preferível dizer que as pessoas ficam mais suscetíveis aos fatores que desencadeiam estas doenças durante o inverno.
Dentre os fatores que estimulam a manifestação destas doenças nessa época do ano,  destaca-se a queda de temperatura, a baixa umidade e o resfriamento do ar. Pessoas com alergias devem evitar o uso de cobertores que soltam pêlos. É recomendável também, antes da chegada do inverno, fazer a lavagem e a secagem ao sol de mantas, cobertores e blusas de lã guardadas por muito tempo.
Para prevenir o surgimento da Síndrome do Olho Seco e das conjuntivites alérgicas, é preciso que as pessoas evitem o acúmulo de poeira em casa, durmam em locais arejados e umedecidos e evitem ambientes climatizados. Os usuários de lentes de contato, por exemplo, devem evitar o uso de lentes de alta hidratação, devem lubrificar, preventivamente, os olhos e devem redobrar os cuidados com a higiene palpebral.
Síndrome do Olho Seco
Sensação de estar com “areia nos olhos”, peso nas pálpebras, olhos vermelhos, embaçamento da visão ao fazer algum tipo de esforço visual e sensibilidade à luz aumentada… Quem apresentar algum destes sintomas durante o inverno deve ficar atento e procurar um oftalmologista, pois pode estar sofrendo com a Síndrome do Olho Seco, que, na verdade, é uma deficiência na qualidade e/ou na quantidade de lágrima que o organismo produz. Este tipo de problema ocular é muito comum na estação mais fria do ano, mas, por ter causas multifatoriais, pode ser confundido com outros distúrbios como infecções ou alergias oculares.
No outono e no inverno, o clima seco e o aumento da poluição, ou seja, fatores ambientais são a maior causa do aparecimento do olho seco. A doença se manifesta mais facilmente devido à baixa umidade do ar, aos ambientes com calefação e ao ar condicionado. Usuários de computadores que, em frente ao monitor, diminuem o reflexo do piscar também podem ser vítimas da doença. O uso inadequado de lentes de contato e algumas cirurgias oculares ou de pálpebra também podem causar a síndrome ou induzi-la, ainda que transitoriamente.
A Síndrome do Olho Seco não escolhe seus alvos por sexo. No entanto, as alterações hormonais femininas geradas na pós-menopausa podem ser desencadeantes do seu surgimento. Tabagismo e distúrbios alimentares também podem levar ao aparecimento do problema. Entretanto, pessoas com doenças inflamatórias como reumatismo, doenças hormonais como diabetes mellitus ou distúrbios da tireoide apresentam a Síndrome do Olho Seco com mais frequência. Preventivamente, estes grupos devem procurar o oftalmologista, pelo menos uma vez por ano, para prevenir complicações.
Segundo a oftalmologista, a Síndrome do Olho Seco pode causar desde inflamação até a úlcera de córnea, além de infecções oportunistas, problemas que, em alguns casos – ainda que muito raramente, podem levar a redução da visão.
Função das lágrimas
As lágrimas representam o mecanismo natural do organismo para proteger a superfície ocular contra infecções e efeitos maléficos da sujeira e da poeira. Elas ajudam a estabilizar a superfície corneana para que a visão permaneça clara e sem distorções. “Uma produção adequada de lágrimas é importante para a manutenção da saúde, do conforto e da capacidade de controle de infecções do olho”, afirma a oftalmologista. “Quando o organismo não produz lágrimas suficientes para realizar essas funções, é necessário usar colírios que ajudem a umidificação dos olhos”, diz a médica.
A causa da Síndrome do Olho Seco é o fator determinante para definir o tratamento correto para cada caso, que poderá ser baseado em reposição ou conservação de lágrimas. O oftalmologista é o profissional adequado para detectar a causa da doença e orientar sobre o seu tratamento. A automedicação e o uso indiscriminado de colírios são prejudiciais e, normalmente, causam um agravamento do quadro clínico. O diagnóstico da Síndrome do Olho Seco é feito por meio da história clínica do paciente, pelo exame físico, pelo exame ocular cuidadoso e por provas clínicas da função lacrimal. O tratamento é paliativo. Nos casos de doenças sistêmicas, quando o problema é diagnosticado auxilia o tratamento da doença ocular.
Pode-se tratar o olho seco por meio de:
  • Uso de lubrificantes, preferencialmente sem conservantes;
  • Preservação da lágrima, por meio da higiene ocular e em ambientes úmidos;
  • Oclusão dos pontos lacrimais, com plugs definitivos ou provisórios;
  • Tarsorrafia, que é a diminuição palpebral cirúrgica;
  • Estimulação da produção lacrimal;
  • Antioxidantes, como o óleo de linhaça.
Conjuntivites alérgicas
No outono/inverno são comuns também as conjuntivites alérgicas. Deve-se, mais uma vez, tomar um cuidado especial com o tratamento das doenças sistêmicas, pois tratando da doença sistêmica, a manifestação ocular da doença será menos intensa.
A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, uma membrana delgada e transparente que reveste a parede do globo ocular e das pálpebras. Em geral, a doença acomete os dois olhos, perdura de uma semana a 15 dias, mas não costuma deixar sequelas.
A doença, que incomoda e interfere na vida social do indivíduo tem como principais sintomas:
  • Olhos vermelhos e lacrimejantes;
  • Pálpebras inchadas;
  • Sensação “de areia” ou de corpo estranho nos olhos;
  • Secreção;
  • Coceira.
Tipos de conjuntivite
A conjuntivite infecciosa pode ser causada por vírus, bactérias fungos ou protozoários. A conjuntivite não-infecciosa é provocada por agentes externos irritantes, que podem dar origem à conjuntivite alérgica, química ou traumática. É oportuno esclarecer que somente o oftalmologista pode fazer o diagnóstico correto do tipo de conjuntivite de cada paciente antes de prescrever o tratamento adequado.
Ao suspeitar de conjuntivite, o paciente não deve sair por aí, comprando remédios indicados por amigos. A indicação de qualquer remédio só pode ser feita por um oftalmologista. Alguns colírios são altamente contraindicados porque podem provocar sérias complicações e agravar o quadro de inflamação.
De uma maneira geral, quem está acometido pela conjuntivite deve redobrar os cuidados com a higiene dos olhos e das mãos. Lavar bem os olhos e fazer compressas com água gelada – que deve ser filtrada e fervida – ou com soro fisiológico ajudam a aliviar os incômodos causados pela doença. Se o paciente acometido pela conjuntivite fizer uso de lentes de contato, o mais sensato é suspender o uso e utilizar os óculos até que a inflamação seja curada.
Uma vez diagnosticada a provável causa da conjuntivite, o oftalmologista pode prescrever o tratamento adequado. Se esta tiver origem bacteriana, utiliza-se a antibioticoterapia, se a causa for virótica, emprega-se o tratamento para alívio dos sintomas, bem como hábitos especiais de higiene, ajudando desta forma, a controlar o contágio e a evolução da doença.
Para prevenir a transmissão da conjuntivite, enquanto estiver doente, são recomendadas as seguintes precauções:
  • Lave com frequência o rosto e as mãos uma vez que estas são meios importantes para a transmissão de microorganismos;
  • Aumente a frequência de troca de toalhas ou use toalhas de papel para enxugar o rosto e as mãos;
  • Não compartilhe toalhas de rosto;
  • Troque as fronhas dos travesseiros diariamente enquanto perdurar a crise;
  • Lave as mãos antes e depois do uso de colírios ou pomadas e, ao usá-los não encoste o bico do frasco no olho;
  • Não use lentes de contato enquanto estiver com conjuntivite, ou se estiver usando colírios ou pomadas;
  • Não compartilhe o uso de esponjas, rímel, delineadores ou de qualquer outro produto de beleza;
  • Evite coçar os olhos para diminuir a irritação;
  • Evite aglomerações ou frequentar piscinas de academias ou clubes;
  • Evite a exposição a agentes irritantes (fumaça) e/ou alérgenos (pólen) que podem causar a conjuntivite.

Dor de cabeça e Visão





A dor de cabeça pode surgir de repente ou dar sinais de sua chegada com horas de antecedência. Quando vem, pode se manifestar como pontada, um aperto nas têmporas, como se fosse o efeito de um forte torniquete em cima dos olhos, como uma dor pulsante em um ou ambos os lados da cabeça… Sua intensidade também varia de incômoda a muito severa, de tal modo que sua vítima não consegue sequer abrir os olhos. Seu nome é cefaleia, a popular dor de cabeça, queixa mais comum nos consultórios. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cefaleia, a cefaleia é um fenômeno universal que atinge 90% da humanidade.
É muito comum que as pessoas que sofrem com freqüentes dores de cabeça atribuam a dor a comprometimentos oculares. Na realidade, os problemas de visão raramente são causa das formas mais comuns de cefaleia.
Os vícios de refração, geralmente em graus baixos, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, quando não corrigidos com óculos ou lentes de contato, provocam cefaleia ao final do dia. Outra possibilidade para a dor de cabeça ser fruto de um problema ocular é quando o paciente apresenta insuficiência de convergência, uma alteração da motilidade ocular com incapacidade ou dificuldade de coordenar os dois olhos na visão de perto. E por fim, há alguns tipos de glaucoma que provocam esta dor: geralmente o chamado crônico simples ou o primário de ângulo aberto.
A confusão ao relacionar a dor de cabeça aos problemas oculares é muitas vezes provocada pelos sintomas da enxaqueca e da cefaleia em salvas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia, uma crise típica de enxaqueca é reconhecida pela dor que envolve metade da cabeça, piora com qualquer atividade física. Em geral, vem acompanhada por outros sintomas, como náuseas, vômitos, intolerância à luz, odores, barulho e movimentos. Outra característica menos comum, porém diagnosticada em portadores de enxaqueca, é a presença da aura – um conjunto de reações neurosensoriais que se manifestam, em geral, antes das crises. São flashes de luz, falhas no campo visual ou imagens brilhantes em ziguezague.
Já as crises de cefaleia em salvas apresentam-se sempre do mesmo lado da cabeça, em volta do olho, na fronte, na têmpora ou até na face. São de intensidade elevada e lancinante. Duram de 15 minutos a três horas. Aparecem em dias seguidos ou alternados, com freqüência de uma a oito vezes por dia e em horários semelhantes, de dois a quatro meses por ano. São muito comuns durante a madrugada e já chegam de forma intensa. Estão associadas ao seu surgimento: vermelhidão ocular, lacrimejamento e entupimento (às vezes, corrimento) nasal do mesmo lado da dor.
Dor de cabeça x problemas oculares
Apesar de não estarem diretamente relacionados, dor de cabeça e problemas oculares estão associados, em alguns casos. Um estudo publicado na revista americana Neurology, em2007, revelou que pessoas que sofrem de enxaqueca ou outros tipos de dor de cabeça correm o risco de apresentarem um quadro de retinopatia, uma lesão da retina que pode causar problemas de visão e até cegueira.
A pesquisa americana ouviu 10.902 homens e mulheres, brancos e negros, com idade entre 51 e 71 anos. Segundo o estudo, 22% dos integrantes do grupo tinham antecedentes de enxaqueca e dores de cabeça. As comparações revelaram que os que sofriam mais dores de cabeça eram jovens, brancos e, em sua maioria, mulheres. Também foi descoberto que aqueles que sofriam de dor de cabeça tinham de 1,3 a 1,5 vezes mais chances de apresentar um quadro de retinopatia.
Segundo Katryn Rose, oftalmologista da Universidade da Carolina do Norte e autora do estudo, as pessoas com idade média (adultos jovens) com histórico de enxaquecas e dores de cabeça têm mais chances de desenvolverem uma retinopatia. Esta associação apareceu depois que foram levados em conta fatores como o diabetes, os níveis de glicose, o consumo de tabaco, a pressão sanguínea e o uso de remédios contra pressão alta. As conclusões da pesquisa também reforçaram um estudo anterior que vinculou a dor de cabeça e a retinopatia aos acidentes vasculares cerebrais (AVCs).


Fonte: IMO

Por que o glaucoma cega?

Por que o glaucoma cega?

O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível, atingindo 1 a 2% das pessoas acima de 60 anos.  Cerca de 50% dos portadores de glaucoma desconhecem ter a doença.
Por comprometer as fibras nervosas da retina, que formam o nervo óptico, a destruição causada pelo glaucoma é definitiva. Ou seja, os tratamentos existentes conseguem, no máximo, estabilizar a doença e prevenir perda visual adicional.
São várias as causas de cegueira pelo glaucoma:
·             A pessoa desconhece ter a doença porque não consulta o médico oftalmologista ou só o faz quando julga precisar ou trocar de óculos.
·             Muitos ao necessitarem de um exame oftalmológico não realizam os exames necessários à detecção da doença.
·             O paciente glaucomatoso não realiza corretamente o tratamento : esquece de usar os medicamentos, usa-os de maneira incorreta ou simplesmente abandona o uso dos colírios.
·             O paciente usa corretamente os colírios mas não comparece periodicamente às ao oftalmologista para verificar o efeito dos mesmos. Alguns medicamentos podem apresentar boa eficácia inicial mas a perdem com o passar dos meses, requerendo sua substituição. A doença pode então progredir, silenciosamente, sem dor ou outros sintomas, até a fase de cegueira total.
·             As pessoas que se automedicam, principalmente com colírios de corticoides podem cegar por glaucoma provocado por esses medicamentos .
·             Em alguns casos, a doença é de tal gravidade que progride apesar de todos os cuidados do paciente e do oftalmologista
                                                                    
É importante lembrar que o diagnóstico de glaucoma ( que deve ser o mais precoce possível), bem como seu controle , envolve não apenas a medida da pressão intraocular mas também exames como campimetria computadorizada com equipamentos padronizados mundialmente, análise do nervo óptico e da camada de fibras nervosas da retina .
 Sua visão é um bem muito precioso e deve receber os cuidados somente de que está habilitado a fazê-lo : o médico oftalmologista.

Um conselho final: se você tem glaucoma ou existem casos da doença na família, o cuidado deve ser redobrado. Procure uma clínica com especialistas nessa área e aparelhada adequadamente para o diagnóstico e tratamento do glaucoma.

Dra. Telma Justa

segunda-feira, 27 de março de 2017

Posições de Ioga podem afetar a pressão intraocular



Os pacientes com glaucoma podem sofrer aumento da pressão ocular como resultado de várias posições de cabeça para baixo, enquanto praticam ioga, informa  um novo estudo, publicado na revista PLOS ONE.
O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível, nos Estados Unidos, e pode afetar dramaticamente a qualidade de vida dos pacientes, causando perda visual de moderada a grave. “Danos ao nervo óptico ocorrem em pacientes com glaucoma quando a pressão dos fluídos que circulam dentro dos olhos aumenta. A pressão intraocular elevada (PIO) é o fator de risco mais conhecido para o dano glaucomatoso e, atualmente, o único fator modificável para o qual o tratamento tem um efeito comprovado na prevenção ou no retardamento da progressão da doença.
Embora todo médico encoraje seus pacientes a adotar um estilo de vida ativo e saudável, certos tipos de atividades físicas, incluindo flexões e levantamento de peso, devem ser evitadas por pacientes com glaucoma devido ao risco de aumento da PIO e de possíveis danos ao nervo óptico. O novo estudo ajuda os oftalmologistas a aconselharem os seus pacientes sobre o risco potencial associado com várias posições de ioga e outros exercícios que envolvem poses invertidas.
Em pesquisas anteriores, estudos e relatos de casos tinham testado apenas a posição headstand da ioga, que mostrou uma elevação da PIO. No novo estudo, os pesquisadores contaram com participantes saudáveis, sem doença ocular, e pacientes com glaucoma, que realizaram uma série de posições de ioga invertida. Os pesquisadores mediram a PIO, em cada grupo, na linha de base sentada, por dois minutos enquanto mantinham a pose, logo após terem executado as poses invertidas e depois novamente 10 minutos depois de descansarem na posição sentada.
Os participantes – com e sem glaucoma – mostraram um aumento da PIO em todas as quatro posições de ioga invertidas, com um maior aumento de pressão ocorrendo durante a postura cão olhando para baixo. Quando as medições foram feitas depois que os participantes retornaram a uma posição sentada e novamente depois de esperar dez minutos, a pressão, na maioria dos casos, permaneceu ligeiramente elevada a partir da linha de base.
Como sabemos que qualquer PIO elevada é o fator de risco mais importante para o desenvolvimento e a progressão de danos aos nervo óptico, o aumento da PIO, após a realização de poses de ioga invertidas é uma preocupação para os pacientes com glaucoma e seus oftalmologistas. Os pacientes devem ser aconselhados a compartilhar com seus instrutores de ioga sua doença para permitir modificações durante a prática de ioga.

A equipe de pesquisadores enfatiza também a importância de educar os pacientes com glaucoma sobre todos os riscos e benefícios relacionados aos exercícios físicos e à visão, bem como quaisquer outros fatores que possam afetar a progressão do glaucoma, incluindo dieta, estilo de vida e outras co-condições mórbidas, como o diabetes.

Fonte: IMO.