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terça-feira, 3 de abril de 2018

O QUE É GLAUCOMA?

O que é Glaucoma?
O glaucoma é uma doença silenciosa que causa diminuição progressiva da visão devido à morte de células da retina e danos estruturais do nervo óptico. Com o nervo óptico lesado, as imagens captadas pela retina não chegam ao cérebro. Com o passar do tempo e os danos causados pelo glaucoma neste nervo, o paciente passa a apresentar pontos cegos no campo visual, podendo progredir para cegueira irreversível se o glaucoma não for diagnosticado e tratado adequadamente.1,2
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o glaucoma constitui a segunda maior causa de cegueira do mundo, ficando atrás somente da catarata. Considerando que a cegueira causada pela a catarata pode ser reversível, provavelmente o glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível.3,4
Estima-se que 60,5 milhões de pessoas tenham glaucoma no mundo. Este número deverá aumentar para 80 milhões até 2020, principalmente devido ao envelhecimento da população mundial.5,6 No Brasil estima-se que quase 1 milhão de pessoas tenham glaucoma e 70% deles sequer sabem que têm a doença.3
O aumento da expectativa de vida da população é um fator que contribui para o aumento do número de casos5, no entanto, o diagnóstico tardio e a falta de informação sobre doença ainda são os principais desafios para conter o avanço da cegueira causada pelo glaucoma.7,8
Infelizmente, o glaucoma não apresenta sintomas e progride em silêncio2,9, e por isso é importante consultar um oftalmologista regularmente. Por ser uma doença que ainda não tem cura, a adesão ao tratamento é fundamental para evitar as possíveis complicações – incluindo a cegueira irreversível – e garantir independência e qualidade de vida aos pacientes.3,10

Referências
1. The Cochrane Database of systematic reviews. Neuroprotection for treatment of glaucoma in adults. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23450569# Acesso em novembro de 2016.
2. National Eye Institute. Glaucoma: The ‘silent thief’ begins to tell its secrets. Disponível em: https://nei.nih.gov/news/pressreleases/012114Acesso em novembro de 2016.
3. Sociedade Brasileira de Glaucoma. Coleção Glaucoma – Conceito e Diagnóstico. Disponível em: http://www.sbglaucoma.com.br/material-informativo/ Acesso em novembro de 2016.
4. Organização Mundial da Saúde. The global impact of glaucoma. Disponível em: http://www.who.int/blindness/publications/glaucoma/en/Acesso em novembro de 2016.
5. British Journal of Ophthalmology. The number of people with glaucoma worldwide in 2010 and 2020. Disponível em: http://bjo.bmj.com/content/90/3/262 Acesso em novembro de 2016.
6. Conselho Brasileiro de Oftalmologia. As condições de saúde ocular no Brasil – 2015. Disponível em: http://www.cbo.net.br/novo/publicacoes/Condicoes_saude_ocular_IV.pdf Acesso em novembro de 2016.
7. Community Eye Health. Patients and glaucoma: what are the challenges? Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3588131/ Acesso em novembro de 2016.
8. Hospital das Clinicas – Unicamp. Falta de informação ainda é desafio no combate ao glaucoma. Disponível em: http://www.hc.unicamp.br/node/272 Acesso em novembro de 2016.
9. Glaucoma Research Foundation. Glaucoma facts and stats. Disponível em: http://www.glaucoma.org/glaucoma/glaucoma-facts-and-stats.phpAcesso em novembro de 2016.
10. Glaucoma Research Foundation. What can I do to prevent glaucoma? Disponível em: http://www.glaucoma.org/gleams/what-can-i-do-to-prevent-glaucoma.php Acesso em novembro de 2016.

domingo, 25 de março de 2018

Olhos vermelhos nem sempre é conjuntivite



Olhos vermelhos são sintomas comuns nas uveítes e nos quadros de conjuntivite, uma doença de melhor prognóstico. Daí, a importância de estabelecer um diagnóstico preciso. “A uveíte é uma inflamação que se manifesta em toda a úvea ou em uma de suas partes. Do ponto de vista anatômico, a úvea é dividida em duas porções: a anterior, que engloba a íris e o corpo ciliar, e a posterior, constituída pela coroide que está intimamente ligada à retina. Por isso, os processos inflamatórios que atingem a coroide ou a retina se misturam. Muitas alterações que comprometem inicialmente a coroide passam a comprometer a retina e vice-versa”.
Conforme o local em que a inflamação se manifesta, a uveíte pode ser anterior, posterior ou intermediária e os sintomas variam muito de acordo com o local comprometido. Quando o comprometimento é só do segmento anterior, ou seja, da íris ou do corpo ciliar, os sinais da doença são diferentes daqueles em que há comprometimento da coroide, isto é, do segmento posterior. Na uveíte anterior aguda, os principais sintomas são hiperemia, fotofobia e, às vezes, dor. Na uveíte posterior, com comprometimento da coroide, mesmo a aparência do olho sendo normal, o paciente pode apresentar alterações da visão.
Além da hiperemia, a queixa oftalmológica que os pacientes mais apresentam é a alteração da visão. “Os pacientes se queixam da presença de uma mancha escura ou de turvação visual. Isso acontece, sobretudo, quando existe comprometimento da coroide e da retina, porque muitas células passam para o humor vítreo, que perde a transparência e a nuvem que se forma na frente da retina perturba a nitidez da visão”.
Diagnosticando o problema
Quando se faz o diagnóstico das uveítes, estabelecer a distinção entre uveíte anterior e posterior é fundamental para determinar as prováveis causas. O olho funciona praticamente como um gânglio e muitas manifestações que apresenta decorrem de doenças sistêmicas.
Como a úvea é constituída por tecido muito semelhante ao das articulações, existe relação entre as doenças articulares – reumatológicas – e as doenças da úvea. Já foi estabelecido também um estudo epidemiológico de prevalência que indica ser importante caracterizar o grupo etário a que pertence o paciente: jovem (de zero a vinte anos), adulto-jovem (de vinte a quarenta anos) e idoso (acima de quarenta anos). “O diagnóstico diferencial também é importante, porque existe a síndrome mascarada, com características que simulam a uveíte, mas que são manifestações de doenças sistêmicas, de metástases ou de alguns linfomas na coroide e na retina”. A causa mais frequente de uveíte posterior é a toxoplasmose, inclusive a toxoplasmose congênita. No entanto, corpo estranho e certos tipos de leucemia podem manifestar-se com uveíte e devem ser considerados durante o diagnóstico. As uveítes são mais freqüentes no adulto-jovem, entre 20 e 40 anos. Nessa faixa de idade, 60%, 70% dos pacientes com uveíte posterior unilateral, turvação da visão e olho aparentemente calmo apresentam exame positivo para toxoplasmose. Na verdade, a partir dos quinze anos, aumenta muito a prevalência de uveíte posterior causada por toxoplasmose. Já a uveíte anterior unilateral aguda em paciente idoso, na maioria das vezes, ocorre por conta de processos herpéticos, provocados pelo herpes vírus simples.
“Todos os pacientes com alguma manifestação reumática devem fazer um exame de sangue chamado FAN fatorantinúcleo, pois 70% dos que têm FAN positivo desenvolverão mais tarde um quadro de uveíte. A vantagem do diagnóstico precoce tanto da uveíte anterior quanto da posterior é poder atuar preventivamente, uma vez que o grande foco da terapêutica é preservar a anatomia do bulbo ocular e proporcionar conforto ao paciente”.
Alterações visuais
Pacientes com uveíte anterior não tratada correm o risco de apresentar uma lesão anatômica irreversível, porque fibrinas passam pela inflamação para dentro do olho, provocando uma aderência da íris ao cristalino, fazendo com que ela deixe de exercer seu papel de diafragma. “Por isso, quando o olho vermelho é sintoma de uveíte anterior, a primeira medida terapêutica é dilatar a pupila para evitar aderências e preservar a anatomia do olho”.
As uveítes sempre provocam alterações visuais. No entanto, é comum encontrar pacientes com uveíte posterior em que o diagnóstico só foi feito com base numa cicatriz mais antiga ou não chegou a ser feito. Tudo depende da área onde se localiza a inflamação. Se for na parte periférica da retina, poderá passar despercebida, o que não acontece quando a lesão ocorre na parte anterior da retina. “Geralmente, nas crianças, o quadro não é agudo, é crônico e elas não reclamam muito porque vão se acostumando com os sintomas. São os pais que notam o olho vermelho. Com os adultos é diferente, uma vez que dor, sensibilidade à luz e hiperemia são sintomas marcantes da uveíte anterior”.
Já a uveíte que acomete a parte posterior do bulbo ocular, mais freqüente nos jovens e nos adultos-jovens, desde que não atinja a área central da retina, apresenta como sintoma mais comum a turvação visual.
Para tratar 

“O diagnóstico preciso das uveítes é fundamental para orientar o tratamento adequado para cada caso. Se a causa primária não for combatida, o tratamento ocular pode trazer alívio, mas não cura. Por exemplo, sífilis ocular é considerada manifestação da sífilis terciária. Portanto, não adianta pingar uma gotinha de colírio para resolver o problema dos olhos. É preciso tratar a sífilis também. As uveítes podem manifestar-se num olho ou nos dois olhos e estar associadas a doenças sistêmicas. Sobretudo nos casos de uveíte anterior, a primeira preocupação é dilatar a pupila e prescrever um anti-inflamatório local, pois o tratamento oftalmológico visa à preservação da anatomia do olho e a dar conforto aos pacientes. “No entanto, a conduta terapêutica depende do diagnóstico etiológico. Indicam-se corticoides, quando o problema ocular está associado a doenças autoimunes. Quando a causa for herpética, não se pode fazer indicar tal medicamento.Nos casos de uveíte posterior por toxoplasmose, tuberculose ou sífilis é preciso introduzir um tratamento sistêmico. “Por isso, o tratamento deve ser orientado conjuntamente, pelo oftalmologista e por um clínico, para garantir uma abordagem mais completa ao paciente”.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Por que os cientistas falam em uma epidemia de miopia - e qual a sua origem


Especialistas estimam que, em 2050, a metade da população mundial será míope; vida moderna "enclausurada" é apontada, junto à genética, entre as principais causas do problema.




Nos últimos 50 anos, o número de pessoas míopes duplicou. Estima-se que em 2020 um terço da população mundial terá o problema na visão, em 2050, a metade.
"Estamos em meio a uma epidemia global de miopia", disse o médico Earl Smith, decano da Universidade de Houston, nos Estados Unidos.
E essa epidemia tem mais incidência entre os jovens do leste da Ásia, em países como China e Coreia do Sul, onde o problema afeta quase 90% dos estudantes que concluem o Ensino Médio.
Em outras regiões do mundo, embora os números não sejam tão alarmantes, a condição também avança.
As pessoas míopes podem ver claramente os objetos que estão próximos, mas não conseguem focar objetos distantes.
Ela ocorre quando o globo ocular cresce demais e fica maior do que o normal. Essa condição visual costuma se manifestar quando as crianças estão em idade escolar e piora gradualmente até que o globo ocular complete seu crescimento.
Se não for detectado e corrigido com lentes, a miopia pode progredir e, com o tempo, aumentar significativamente o risco de catarata, glaucoma, desprendimento da retina e maculopatia míope.
Além disso, está entre as três primeiras causas de cegueira permanente no mundo.

Qual é a causa?

Os especialistas acreditam que a genética tenha um papel no desenvolvimento da miopia, mas não é o único fator.
"Há algo em nosso comportamento e nosso ambiente que está contribuindo para o aumento de casos de pessoas míopes", garante Smith, que recebeu financiamento de US$ 1,9 milhão (R$ 6,3 milhões) exatamente para investigar as causas e estratégias de tratamento.
Muitos estudos mostram que as pessoas que passam mais tempo ao ar livre são muito menos propensas a desenvolver miopia que aquelas que permanecem a maior parte do dia entre quatro paredes.
"A demanda educacional cada vez mais exigente e o fato de se passar mais tempo em espaços fechados são fatores que contribuem para que uma pessoa se torne míope", acrescenta Smith.
"Na Ásia, entre 80% e 95% dos jovens que terminam o Ensino Médio nas zonas urbanas têm miopia, e já evidências fortes de que o índice também está aumentando nos Estados Unidos e na Europa", disse ainda o especialista, um dos líderes no tema.
"Nas situações em que há uma expectativa educacional alta, é mais provável que as pessoas desenvolvam miopia”.
Smith e sua equipe estão agora se debruçando sobre os fatores ambientais, como a exposição a certos tipos de luz, que podem ter um impacto sobre o crescimento do globo ocular que leva à miopia.

O que podemos fazer?

A miopia não tem cura nem é reversível, mas o uso de óculos pode impedir ou desacelerar o avanço da condição.
Também há cirurgia com laser que altera a forma do globo ocular para corrigi-lo, embora esse procedimento não seja recomendado em crianças ou jovens que ainda estão em processo de crescimento.
A maioria dos pesquisadores concorda que estimular crianças a brincar ao ar livre ajuda a reduzir o risco de desenvolver o problema.
Também há estudos mostrando que, ao brincar ao ar livre, a miopia infantil pode avançar num ritmo mais lento.
Os especialistas acreditam que isso tem a ver com o fato de que os níveis de luz no exterior são muito mais altos que no interior.
Por outro lado, passar muito tempo focando a vista em objetos muito próximos, como lendo, escrevendo ou usando dispositivos portáteis como celulares, tablets ou laptops, pode aumentar o risco miopia, segundo o NHS, o serviço público de saúde britânico.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Quais são os danos causados pela luz solar na lente dos olhos?


Quais são os danos causados pela luz solar na lente dos olhos?
O maior problema dos efeitos dos raios solares nos nossos olhos é que eles são cumulativos, ou seja, podem ir surgindo aos poucos, com pequenas exposições diárias ao sol, e progredindo consideravelmente com o passar dos anos.
O descuido com os olhos no contato com o sol pode levar a doenças degenerativas da região e também provocar queimaduras no globo ocular.
A exposição excessiva aos raios solares, além de afetar consideravelmente a qualidade da nossa visão, pode aumentar o risco do desenvolvimento de catarata, que, por sua vez, se não tratada corretamente, pode se desenvolver rapidamente e deixar o indivíduo parcialmente ou totalmente cego.
Uma outra doença geralmente relacionada à longa exposição dos olhos ao sol é o pterígio, que se caracteriza pelo crescimento de um tecido sobre a córnea, bloqueando fisicamente a visão do indivíduo.
Por que é importante usar óculos de sol?
Se proteger da ação dos raios solares nos olhos pode ser muito mais simples do que parece. Basta entender que o uso do óculos de sol é essencial para proteção da ação dos raios ultravioletas. Alguns profissionais da área de oftalmologia recomendam o uso de óculos de sol mesmo em dias nublados, reduzindo ao máximo a ação dos raios.



Mas não basta escolher qualquer óculos de sol para proteger seus olhos: é recomendado adquiri-lo em uma ótica de confiança, já que, nesses locais, a lente passa por tratamentos específicos (chamados de proteção UV) para evitar essas lesões causadas pelo sol.
Os óculos adquiridos em praias ou lojas não especializadas praticamente nunca passam por esse tipo de tratamento e, por esse motivo, podem até aumentar o risco de lesão ocular, já que aceleram ainda mais a ação do sol nessa região. Óculos de sol de má qualidade podem aumentar o desconforto na visão, causar dores de cabeça, acelerar doenças como a catarata, a degeneração macular, o pterígio e também elevar o risco do desenvolvimento de tumores na região dos olhos.
O que mais pode ser feito para proteger os olhos?

Outra estratégia que pode ser adicionada ao uso de óculos de sol é a ajuda de um boné, chapéu ou viseira durante a exposição ao sol, já que eles são capazes de fazer um bloqueio físico aos raios do dia.
Frequentar o sol nos horários indicados também é uma boa alternativa para diminuir a ação dos raios nos olhos: prefira sempre tomar sol entre 6 e 10h da manhã ou depois das 16h.
Além de ter o cuidado adequado com os materiais que ajudam a proteger seus olhos da ação do sol, também é preciso manter-se atento à qualidade da alimentação, que influencia diretamente a diminuição de processos degenerativos.
E você, está protegendo seus olhos dos danos gerados pelos raios solares? Ainda ficou com dúvidas sobre esse assunto? Fale conosco nos comentários!
Importante : não deixe de se consultar com seu oftalmologista de confiança regularmente !