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terça-feira, 3 de abril de 2018

TIPOS DE GLAUCOMA

TIPOS DE GLAUCOMA

Tipos de glaucoma


Existem diferentes tipos de glaucoma, que variam principalmente em função da causa e da gravidade da doença. Conheça os principais!
    • Glaucoma primário de ângulo aberto: é responsável por quase 90% de todos os casos de glaucoma e é frequentemente assintomático, de modo que os sintomas não são detectados até um estágio avançado, a menos que o paciente visite o oftalmologista com regularidade. A pressão intraocular sobe lentamente devido uma drenagem do liquido ocular menos eficiente que o normal. A córnea se adapta sem apresentar sinais de que alguma coisa está errada. O nervo óptico é lesionado, provocando uma lenta, mas progressiva, perda da visão. A perda da visão começa nos extremos do campo visual e, se não for tratada, acaba por se estender por todo o campo visual, levando à cegueira. Não há dor, e o paciente muitas vezes não percebe que está perdendo lentamente a visão até os últimos estágios da doença. Devido à ausência de sinais e sintomas, a melhor forma de diagnóstico desse tipo de glaucoma é o exame ocular periódico.1-4

    • Glaucoma de pressão normal: também conhecido como glaucoma de baixa pressão ou de pressão normal, é uma forma de glaucoma em que ocorre dano ao nervo óptico, sem elevação da pressão intraocular a níveis superiores do considerado normal. As causas deste tipo de glaucoma ainda são desconhecidas, porém, entre os que apresentam maior risco para esta forma de glaucoma, estão: pessoas com história familiar de glaucoma de pressão normal, pessoas de descendência japonesa e pessoas com história de doença cardiovascular. O glaucoma de pressão normal é diagnosticado através dos mesmos exames realizados para confirmar o diagnóstico dos outros tipos de glaucoma (saiba mais em diagnóstico).2-4

    • Glaucoma de ângulo fechado: é também conhecido como glaucoma de ângulo estreito. Neste tipo de glaucoma, o ângulo entre a íris e a córnea é mais estreito do que o normal, o que dificulta a drenagem do líquido intraocular, causando aumento súbito da pressão dentro do olho. Os sintomas de glaucoma de ângulo fechado podem incluir dores de cabeça, dor nos olhos, náuseas, arco-íris em torno de luzes à noite e visão muito turva, de aparição intermitente. Dentro desta classificação de glaucoma, existe um tipo onde a pressão intraocular se eleva de forma extremamente rápida: é o glaucoma agudo de ângulo fechado. Neste caso, os sintomas anteriormente descritos aparecem de maneira rápida e com forte intensidade, e não passam sozinhos.2-4

    • Glaucoma congênito: ocorre em bebês e crianças pequenas e geralmente é diagnosticado dentro do primeiro ano de vida. Esta é uma condição rara que pode ser herdada ou causada pelo desenvolvimento incorreto do sistema de drenagem do olho antes do nascimento. Isto conduz a uma pressão intraocular aumentada, que por sua vez danifica o nervo óptico. Os sintomas do glaucoma congênito incluem olhos aumentados (conhecido como buftalmo), lacrimejamento excessivo, opacidade da córnea e fotossensibilidade (sensibilidade à luz).2-5

  • Glaucoma secundário: refere-se a qualquer caso de glaucoma em que outra doença causa ou contribui para aumento da pressão intraocular, resultando em dano do nervo óptico e perda de visão. Pode ocorrer como resultado de trauma ocular, inflamação, tumor, uso de medicamentos oculares ou sistêmicos, ou em casos avançados de catarata ou diabetes. Os medicamentos oculares mais frequentemente associados são os colírios com corticóides.2-4,6

Glaucoma não tem cura, mas tem tratamento!

O glaucoma não tem cura, mas a boa notícia é que o glaucoma pode ser controlado se detectado cedo e tiver o tratamento adequado.7 O tratamento dependerá do tipo específico de glaucoma, da sua gravidade e como o paciente responde ao tratamento. Na maioria dos casos, os colírios com medicamentos hipotensores oculares são a forma mais comum de tratar o glaucoma. Estes colírios diminuem a pressão intraocular e, assim como qualquer outro medicamento, é importante utilizá-los regularmente como prescrito pelo oftalmologista.8-9 Saiba mais em tratamento!

Referências
1. Glaucoma Research Foundation. Primary Open-Angle Glaucoma. Disponível em: http://www.glaucomafoundation.org/Primary_Open-Angle_Glaucoma.htm Acesso em novembro de 2016.
2. Glaucoma Research Foundation. Types of Glaucoma. Disponível em: http://www.glaucoma.org/glaucoma/types-of-glaucoma.php Acesso em novembro de 2016.
3. The Glaucoma Foundation. Types of glaucoma. Disponível em: https://www.glaucomafoundation.org/types_of_glaucoma.htm Acesso em novembro de 2016.
4. National Eye Institute. Facts about glaucoma. Disponível em: https://nei.nih.gov/health/glaucoma/glaucoma_facts Acesso em novembro de 2016.
5. Glaucoma Research Foundation. Disponível em: http://www.glaucoma.org/glaucoma/childhood-glaucoma-1.php Acesso em novembro de 2016.
6. Glaucoma Research Foundation. Disponível em: http://www.glaucoma.org/glaucoma/secondary-glaucoma.php Acesso em novembro de 2016.
7. The Glaucoma Foundation. Treating glaucoma. Disponível em: https://www.glaucomafoundation.org/treating_glaucoma.htm Acesso em novembro de 2016.
8. American Academy of Ophthalmology. Glaucoma treatment. Disponível em: https://www.aao.org/eye-health/diseases/glaucoma-treatmentAcesso em novembro de 2016.
9. Sociedade Brasileira de Glaucoma. III Consenso Brasileiro de Glaucoma Primário de ângulo aberto – 2009. Disponível em: http://www.sbglaucoma.com.br/consenso/ Acesso em novembro de 2016.

SINAIS E SINTOMAS DO GLAUCOMA


SINAIS E SINTOMAS DO GLAUCOMA

Sinais e sintomas do glaucoma


Na maioria dos casos, o glaucoma é uma doença assintomática no início, ou seja, que não apresenta sinais ou sintomas. A perda visual perceptível só ocorre em fases mais avançadas do glaucoma, quando ocorre o comprometimento da visão central. Com o avanço do glaucoma, o campo visual vai estreitando progressivamente até transformar-se em visão tubular, como se o paciente estivesse de fato enxergando por dentro de um tubo (veja a imagem abaixo).1-3 Infelizmente, até 40% da visão pode ser perdida sem que os pacientes percebam, e, sem o tratamento adequado, o paciente fica cego.4 Isso reforça a necessidade de consultar um oftalmologista regularmente para diagnosticar a doença (saiba mais em diagnóstico), já que o glaucoma não causa sintomas.

Visão saudável



Visão tubular ou perda parcial da visão causada pelo glaucoma

No entanto, em casos mais raros, como no glaucoma agudo de ângulo fechado (ver tipos de glaucoma), os sintomas podem incluir:1,5
  • Dor intensa nos olhos e ao redor dos olhos;
  • Dor de cabeça;
  • Vermelhidão no olho;
  • Problemas de visão;
  • Dificuldade para enxergar no escuro;
  • Náusea e vômito;
  • “Aumento” da pupila (parte preta do olho, bem central, no meio da íris);
  • Visão turva e embaçada;
  • Observação de arcos em volta das luzes;
  • Diminuição da visão periférica.
Ao contrário do glaucoma de ângulo aberto (ver tipos de glaucoma), os sintomas de glaucoma agudo de ângulo fechado são muito perceptíveis e os danos ocorrem rapidamente. Se você tiver qualquer um destes sintomas, procure atendimento imediato de um oftalmologista.

Referências
1. American Academy of Ophthalmology. What are the symptoms of glaucoma? Disponível em: https://www.aao.org/eye-health/diseases/glaucoma-symptoms Acesso em novembro de 2016.
2. Glaucoma Research Foundation. Symptoms of primary open-angle glaucoma. Disponível em: http://www.glaucoma.org/glaucoma/symptoms-of-primary-open-angle-glaucoma.php Acesso em novembro de 2016.
3. National Eye Institute. Facts about glaucoma. Disponível em: https://nei.nih.gov/health/glaucoma/glaucoma_facts Acesso em novembro de 2016.
4. Glaucoma Research Foundation. January is glaucoma awareness month. Disponível em: http://www.glaucoma.org/news/glaucoma-awareness-month.php Acesso em novembro de 2016.
5. Glaucoma Research Foundation. Symptoms of angle-closure glaucoma. Disponível em: http://www.glaucoma.org/glaucoma/symptoms-of-angle-closure-glaucoma.php Acesso em novembro de 2016.

CAUSAS DO GLAUCOMA


CAUSAS DO GLAUCOMA

Causas do glaucoma


O glaucoma é uma doença progressiva de causa desconhecida. Na maioria das vezes está associado a valores de pressão intraocular (dentro do olho) acima dos níveis considerados normais. Existe uma minoria de casos de pacientes com glaucoma que apresentam pressão intraocular normal (saiba mais em tipos de glaucoma).1-3 Apesar da relação causa/efeito não ser muito precisa, já se sabe que o aumento da pressão intraocular é o principal fator de risco para a progressão dos danos da visão.3,4
O aumento da pressão intraocular surge quando existe um desequilíbrio entre a produção de humor aquoso (o líquido dentro do olho que fica entre a córnea e a íris) e sua drenagem. Este desequilíbrio gera a um acúmulo de líquido dentro do olho, o que acaba aumentando a pressão intraocular e comprime as células nervosas do nervo óptico, podendo levar à morte destas células. Tanto a própria anatomia do olho e fatores hereditários, quanto infecções oculares, lesões ou uso de certos medicamentos, podem produzir um aumento do acúmulo de fluidos e, consequentemente, um aumento da pressão intraocular. 3,5
Portanto, é imprescindível consultar um médico oftalmologista regularmente. O diagnóstico precoce é fundamental para o controle da progressão do glaucoma. 3,6

Referências
1. American Academy of Ophthalmology. Causes of glaucoma. Disponível em: https://www.aao.org/eye-health/diseases/glaucoma-causes Acesso em novembro de 2016.
2. Glaucoma Research Foundation. What causes vision loss in glaucoma? Disponível em: http://www.glaucoma.org/research/what-causes-vision-loss-in-glaucoma.php Acesso em novembro de 2016.
3. National Eye Institute. Facts about glaucoma. Disponível em: https://nei.nih.gov/health/glaucoma/glaucoma_facts Acesso em novembro de 2016.
4. Sociedade Brasileira de Glaucoma. III Consenso Brasileiro de Glaucoma Primário de ângulo aberto – 2009. Disponível em: http://www.sbglaucoma.com.br/consenso/ Acesso em novembro de 2016.
5. International Glaucoma Association. Ocular Hypertension. Disponível em: https://www.glaucoma-association.com/about-glaucoma/other-eye-conditions/ocular-hypertension/ Acesso em novembro de 2016.
6. The Glaucoma Foundation. About Glaucoma. Disponível em: https://www.glaucomafoundation.org/about_glaucoma.htm Acesso em novembro de 2016.

O QUE É GLAUCOMA?

O que é Glaucoma?
O glaucoma é uma doença silenciosa que causa diminuição progressiva da visão devido à morte de células da retina e danos estruturais do nervo óptico. Com o nervo óptico lesado, as imagens captadas pela retina não chegam ao cérebro. Com o passar do tempo e os danos causados pelo glaucoma neste nervo, o paciente passa a apresentar pontos cegos no campo visual, podendo progredir para cegueira irreversível se o glaucoma não for diagnosticado e tratado adequadamente.1,2
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o glaucoma constitui a segunda maior causa de cegueira do mundo, ficando atrás somente da catarata. Considerando que a cegueira causada pela a catarata pode ser reversível, provavelmente o glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível.3,4
Estima-se que 60,5 milhões de pessoas tenham glaucoma no mundo. Este número deverá aumentar para 80 milhões até 2020, principalmente devido ao envelhecimento da população mundial.5,6 No Brasil estima-se que quase 1 milhão de pessoas tenham glaucoma e 70% deles sequer sabem que têm a doença.3
O aumento da expectativa de vida da população é um fator que contribui para o aumento do número de casos5, no entanto, o diagnóstico tardio e a falta de informação sobre doença ainda são os principais desafios para conter o avanço da cegueira causada pelo glaucoma.7,8
Infelizmente, o glaucoma não apresenta sintomas e progride em silêncio2,9, e por isso é importante consultar um oftalmologista regularmente. Por ser uma doença que ainda não tem cura, a adesão ao tratamento é fundamental para evitar as possíveis complicações – incluindo a cegueira irreversível – e garantir independência e qualidade de vida aos pacientes.3,10

Referências
1. The Cochrane Database of systematic reviews. Neuroprotection for treatment of glaucoma in adults. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23450569# Acesso em novembro de 2016.
2. National Eye Institute. Glaucoma: The ‘silent thief’ begins to tell its secrets. Disponível em: https://nei.nih.gov/news/pressreleases/012114Acesso em novembro de 2016.
3. Sociedade Brasileira de Glaucoma. Coleção Glaucoma – Conceito e Diagnóstico. Disponível em: http://www.sbglaucoma.com.br/material-informativo/ Acesso em novembro de 2016.
4. Organização Mundial da Saúde. The global impact of glaucoma. Disponível em: http://www.who.int/blindness/publications/glaucoma/en/Acesso em novembro de 2016.
5. British Journal of Ophthalmology. The number of people with glaucoma worldwide in 2010 and 2020. Disponível em: http://bjo.bmj.com/content/90/3/262 Acesso em novembro de 2016.
6. Conselho Brasileiro de Oftalmologia. As condições de saúde ocular no Brasil – 2015. Disponível em: http://www.cbo.net.br/novo/publicacoes/Condicoes_saude_ocular_IV.pdf Acesso em novembro de 2016.
7. Community Eye Health. Patients and glaucoma: what are the challenges? Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3588131/ Acesso em novembro de 2016.
8. Hospital das Clinicas – Unicamp. Falta de informação ainda é desafio no combate ao glaucoma. Disponível em: http://www.hc.unicamp.br/node/272 Acesso em novembro de 2016.
9. Glaucoma Research Foundation. Glaucoma facts and stats. Disponível em: http://www.glaucoma.org/glaucoma/glaucoma-facts-and-stats.phpAcesso em novembro de 2016.
10. Glaucoma Research Foundation. What can I do to prevent glaucoma? Disponível em: http://www.glaucoma.org/gleams/what-can-i-do-to-prevent-glaucoma.php Acesso em novembro de 2016.

domingo, 25 de março de 2018

Olhos vermelhos nem sempre é conjuntivite



Olhos vermelhos são sintomas comuns nas uveítes e nos quadros de conjuntivite, uma doença de melhor prognóstico. Daí, a importância de estabelecer um diagnóstico preciso. “A uveíte é uma inflamação que se manifesta em toda a úvea ou em uma de suas partes. Do ponto de vista anatômico, a úvea é dividida em duas porções: a anterior, que engloba a íris e o corpo ciliar, e a posterior, constituída pela coroide que está intimamente ligada à retina. Por isso, os processos inflamatórios que atingem a coroide ou a retina se misturam. Muitas alterações que comprometem inicialmente a coroide passam a comprometer a retina e vice-versa”.
Conforme o local em que a inflamação se manifesta, a uveíte pode ser anterior, posterior ou intermediária e os sintomas variam muito de acordo com o local comprometido. Quando o comprometimento é só do segmento anterior, ou seja, da íris ou do corpo ciliar, os sinais da doença são diferentes daqueles em que há comprometimento da coroide, isto é, do segmento posterior. Na uveíte anterior aguda, os principais sintomas são hiperemia, fotofobia e, às vezes, dor. Na uveíte posterior, com comprometimento da coroide, mesmo a aparência do olho sendo normal, o paciente pode apresentar alterações da visão.
Além da hiperemia, a queixa oftalmológica que os pacientes mais apresentam é a alteração da visão. “Os pacientes se queixam da presença de uma mancha escura ou de turvação visual. Isso acontece, sobretudo, quando existe comprometimento da coroide e da retina, porque muitas células passam para o humor vítreo, que perde a transparência e a nuvem que se forma na frente da retina perturba a nitidez da visão”.
Diagnosticando o problema
Quando se faz o diagnóstico das uveítes, estabelecer a distinção entre uveíte anterior e posterior é fundamental para determinar as prováveis causas. O olho funciona praticamente como um gânglio e muitas manifestações que apresenta decorrem de doenças sistêmicas.
Como a úvea é constituída por tecido muito semelhante ao das articulações, existe relação entre as doenças articulares – reumatológicas – e as doenças da úvea. Já foi estabelecido também um estudo epidemiológico de prevalência que indica ser importante caracterizar o grupo etário a que pertence o paciente: jovem (de zero a vinte anos), adulto-jovem (de vinte a quarenta anos) e idoso (acima de quarenta anos). “O diagnóstico diferencial também é importante, porque existe a síndrome mascarada, com características que simulam a uveíte, mas que são manifestações de doenças sistêmicas, de metástases ou de alguns linfomas na coroide e na retina”. A causa mais frequente de uveíte posterior é a toxoplasmose, inclusive a toxoplasmose congênita. No entanto, corpo estranho e certos tipos de leucemia podem manifestar-se com uveíte e devem ser considerados durante o diagnóstico. As uveítes são mais freqüentes no adulto-jovem, entre 20 e 40 anos. Nessa faixa de idade, 60%, 70% dos pacientes com uveíte posterior unilateral, turvação da visão e olho aparentemente calmo apresentam exame positivo para toxoplasmose. Na verdade, a partir dos quinze anos, aumenta muito a prevalência de uveíte posterior causada por toxoplasmose. Já a uveíte anterior unilateral aguda em paciente idoso, na maioria das vezes, ocorre por conta de processos herpéticos, provocados pelo herpes vírus simples.
“Todos os pacientes com alguma manifestação reumática devem fazer um exame de sangue chamado FAN fatorantinúcleo, pois 70% dos que têm FAN positivo desenvolverão mais tarde um quadro de uveíte. A vantagem do diagnóstico precoce tanto da uveíte anterior quanto da posterior é poder atuar preventivamente, uma vez que o grande foco da terapêutica é preservar a anatomia do bulbo ocular e proporcionar conforto ao paciente”.
Alterações visuais
Pacientes com uveíte anterior não tratada correm o risco de apresentar uma lesão anatômica irreversível, porque fibrinas passam pela inflamação para dentro do olho, provocando uma aderência da íris ao cristalino, fazendo com que ela deixe de exercer seu papel de diafragma. “Por isso, quando o olho vermelho é sintoma de uveíte anterior, a primeira medida terapêutica é dilatar a pupila para evitar aderências e preservar a anatomia do olho”.
As uveítes sempre provocam alterações visuais. No entanto, é comum encontrar pacientes com uveíte posterior em que o diagnóstico só foi feito com base numa cicatriz mais antiga ou não chegou a ser feito. Tudo depende da área onde se localiza a inflamação. Se for na parte periférica da retina, poderá passar despercebida, o que não acontece quando a lesão ocorre na parte anterior da retina. “Geralmente, nas crianças, o quadro não é agudo, é crônico e elas não reclamam muito porque vão se acostumando com os sintomas. São os pais que notam o olho vermelho. Com os adultos é diferente, uma vez que dor, sensibilidade à luz e hiperemia são sintomas marcantes da uveíte anterior”.
Já a uveíte que acomete a parte posterior do bulbo ocular, mais freqüente nos jovens e nos adultos-jovens, desde que não atinja a área central da retina, apresenta como sintoma mais comum a turvação visual.
Para tratar 

“O diagnóstico preciso das uveítes é fundamental para orientar o tratamento adequado para cada caso. Se a causa primária não for combatida, o tratamento ocular pode trazer alívio, mas não cura. Por exemplo, sífilis ocular é considerada manifestação da sífilis terciária. Portanto, não adianta pingar uma gotinha de colírio para resolver o problema dos olhos. É preciso tratar a sífilis também. As uveítes podem manifestar-se num olho ou nos dois olhos e estar associadas a doenças sistêmicas. Sobretudo nos casos de uveíte anterior, a primeira preocupação é dilatar a pupila e prescrever um anti-inflamatório local, pois o tratamento oftalmológico visa à preservação da anatomia do olho e a dar conforto aos pacientes. “No entanto, a conduta terapêutica depende do diagnóstico etiológico. Indicam-se corticoides, quando o problema ocular está associado a doenças autoimunes. Quando a causa for herpética, não se pode fazer indicar tal medicamento.Nos casos de uveíte posterior por toxoplasmose, tuberculose ou sífilis é preciso introduzir um tratamento sistêmico. “Por isso, o tratamento deve ser orientado conjuntamente, pelo oftalmologista e por um clínico, para garantir uma abordagem mais completa ao paciente”.